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Novo presidente na Fundação Palmares/Minc

A ministra Marta Suplicy ainda não se pronunciou oficialmente, mas já é dada como certa a troca de direção na Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura responsável pelas políticas voltadas para a cultura negra. O novo presidente do órgão será o ator, diretor e gestor cultural, Hilton Cobra, conhecido como Cobrinha. Baiano radicado no Rio de Janeiro, criador da Companhia dos Comuns e coordenador do Fórum Nacional de Performance Negra, Cobrinha já tem experiência na gestão de órgão institucional de cultural, já que, entre 1993 e 2000, esteve à frente do Centro Cultural José Bonifácio, da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, cidade de forte expressão da cultura negra.

Ainda aguardando a oficialização do seu nome, Hilton Cobra falou para o Correio Nagô dos seus projetos para a Fundação Cultural Palmares, caso se confirme a nomeação. “A Palmares é de extrema importância para a comunidade negra. Assim como a Seppir [Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial] é o órgão responsável por assessorar o governo federal, cabe a Palmares, o assessoramento do Ministério da Cultura para as demandas da população negra”. Cobrinha falou da necessidade de articulação entre a Fundação Palmares e demais órgãos do MinC, como a Funarte, a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural e a Secretaria de Políticas Culturais. “A Palmares não pode ser produtor de eventos, e deve sim assessorar as políticas do Ministério, que é a sua obrigação institucional”. E prometeu parceria com a Seppir: “Se sou um homem preto hoje é graças a Luiza Bairros”, destacando a importância da atual ministra na formação da sua consciência racial e política.

Centro de Referência – Um dos principais desafios apontados por Cobrinha é a efetivação do Centro de Informação e Referência da Cultura Negra, vinculado a Palmares. “Precisamos aproveitar bons projetos das gestões anteriores, como o Centro de Referência pensado na gestão de Dulce Maria de Pereira [durante o governo FHC]. Não há no Brasil um local para preservar o rico acervo acumulado sobre a cultura negra, por personalidades como Abdias do Nascimento, Antonio Olinto e Zózimo Bulbul, que virou bakulorecentemente”, lembra o artista, em referência ao cineasta falecido em 24 de janeiro deste ano.

A política para as comunidades remanescentes de quilombo é um ponto crítico, na visão do gestor, mas também os editais, a relação com as empresas públicas e as demandas levantadas pelas edições do Fórum Nacional de Performance Negra. “Penso que os editais lançados pela ministra Marta Suplicy, em novembro de 2012, são um embrião do que deve ser a missão do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura”, afirma, citando uma das unidades que integram o organograma da Fundação Cultural Palmares.

Equipe – Sobre a mudança no perfil da presidência da Fundação Cultural Palmares, agora com um artista à frente, Cobra ressaltou: “Como uma pessoa de teatro, sei da importância do trabalho coletivo, do trabalho em equipe e do profissionalismo. Por isso sei que é preciso elevar a auto-estima dos profissionais da Fundação Palmares. Há muitos competentes funcionários, que dão sangue por aquele projeto e precisam ser valorizados, se sentirem parte das ações”.

Para finalizar, demonstrou otimismo na gestão de Marta Suplicy à frente do Ministério da Cultura: “Estou sentindo da ministra um sincero envolvimento e comprometimento com as demandas da cultura negra. Teremos todos muito trabalho pela frente”.

Perfil – José Hilton Santos Almeida, Hilton Cobra, ou simplesmente Cobrinha, nasceu em 25 de maio de 1956, em Feira de Santana, no dia dedicado ao continente africano. Criou em 2001, no Rio de Janeiro, a Cia dos Comuns, inspirado na atuação do Bando de Teatro Olodum, em Salvador. Com a companhia montou, entre outras peças: “A Roda do Mundo”, de 2001, “Candances – A Reconstrução do Fogo”, de 2003, “Bakulo” – os bem lembrados, de 2005, e “Silêncio”, de 2007. Em 2008, encarnou o personagem de Lima Barreto, Policarpo Quaresma, na montagem homônima dirigida por Luiz Marfuz, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves.

Fonte: Instituto Mídia Étnica e Portal Africas

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